“Sem título”, de Manoel Neves

o desejo de te ver
incendeia o azul do céu
me impele contra o tempo
me transforma num incréu
me desfaz em mil arpejos
deixa o sonho sem um véu

o desejo de te ver
roda feito carrossel
desdobrado em mim, vermelho,
espiral, vitral, dossel:
vou sonhando a tua pele,
nas palavras, no papel.

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