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Textos com Etiquetas ‘Ariano Suassuna’

Filme “O auto da Compadecida”, de Guel Arraes

19, dezembro, 2011 Sem comentários
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“Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna

11, fevereiro, 2011 Sem comentários
Auto da Compadecida é um texto dos mais instigantes [e intrigantes] da dramaturgia nacional. Tem suas ‘raízes’ em romances e histórias populares nordestinas, aproxima-se dos antigos autos vicentinos, do teatro espanhol do século XVII e também da commedia dell’arte. Acima de tudo, sua criatividade autoral não se limita a uma mera cópia, transposição ou adaptação. O que nos é dado a perceber é a recriação em termos brasileiros, tanto pela ambientação como pela estruturação, configurando-se como uma obra inédita em suas características, nova e, portanto, absolutamente original. 
 

Escrita em 1955 por Ariano Suassuna, um jovem paraibano que ainda não contava 30 anos, Auto da Compadecida está completando 53 anos, gozando de plena vitalidade. Até o lançamento da Compadecida, Ariano era conhecido basicamente no Recife, onde residia, como autor de poemas e peças teatrais populares desde 1945. Encenado pela primeira vez em 11 de setembro de 1956, no Teatro Santa Isabel, pelo Teatro de Adolescentes do Recife, sob a direção de Clênio Wanderley, numa curtíssima temporada de 3 apresentações, o Auto da Compadecida teve a última delas cancelada por falta de público. 

O herói do texto, João Grilo, é personagem lendário de dois romances [romances são os nomes dados aos textos de cordel] populares nordestinos intitulados As proezas de João Grilo. Essa aproximação com o popular não exclui as possibilidades de uma apropriação mais remota, se observarmos a semelhança com os antigos autos medievais [Os milagres de Nossa Senhora] em que, numa história profana, o herói invocava a Virgem e esta o salvava física e espiritualmente. Ou ainda com os autos vicentinos que, apresentados nos palácios [e também nos átrios das igrejas medievais], eram o recado crítico do povo, pela boca do artista, aos detentores do poder temporal – os endinheirados e nobres –, e do poder eterno, espiritual – os representantes de Deus na terra, o clero. Por outra linhagem, podemos entrever em João Grilo o Arlequim, com sua esperteza, sagacidade e astúcia que lhe permitem escapar das situações difíceis, mas sem deixar de ser histriônico, bufão em sua luta pela sobrevivência. A falta de sorte, as confusões em que se mete e acaba levando a pior, lembram as agruras de D. Quixote.

Para baixar o livro, clique aqui ou aqui.

Ariano Suassuna: perfil biográfico

30, janeiro, 2008 Sem comentários

Ariano Vilar Suassuna nasceu em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa [PB], em 16 de junho de 1927, filho de Cássia Villa Suassuna e João Suassuna. No ano seguinte, seu pai deixa o governo da Paraíba e a família passa a morar no sertão, na fazenda Acauhan.

 

Com a revolução de 30, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

 

A partir de 1942 passou a viver em Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários no Ginásio Pernambucano e no Colégio Oswaldo Cruz. No ano seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermílio Borba Filho. E, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de sol. Em 1948, sua peça Cantam as harpas de Sião [ou “O desertor de Princesa”] foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os homens de barro foi montada no ano seguinte.

 

Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um coração, em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época O castigo da soberba [1953], O rico avarento [1954] e o Auto da Compadecida [1955], peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi, o texto mais popular do moderno teatro brasileiro.

 

Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça O casamento suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O santo e a porca; em 1958, foi encenada a sua peça O homem da vaca e o poder da fortuna; em 1959, A pena e a lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.

 

Em 1959, em companhia de Hermílio Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da boa preguiça [1960] e A caseira e a Catarina [1962]. No início dos anos 60, interrompeu sua bem sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPe. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A onça castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira. Aposenta-se como professor em 1994.

 

Membro fundador do Conselho Federal de Cultura [1967]; nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPe [1969]. Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado no Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina: do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes [1994-1998].

 

Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o Romance d’a pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta [1971] e História d’o rei degolado nas caatingas do sertão: ao sol da onça Caetana [1976], classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.

 

Membro da Academia Paraibana de Letras e Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte [2000].