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Textos com Etiquetas ‘Álvares de Azevedo’

“Lira dos vinte anos”, de Álvares de Azevedo

7, março, 2011 Sem comentários

Lira dos vinte anosLira dos vinte anos, único texto que o poeta preparou para a publicação, foi editado postumamente, em 1853, apresenta claramente duas faces: a primeira e a terceira partes mostram um Álvares de Azevedo suave, ingênuo, sentimental, elegíaco. É o que Antonio Candido chamou de a face de Ariel. A segunda parte mostra um poeta macabro, satírico e sarcástico, constituindo o que o citado crítico chama de a face de Caliban. Nela, uma veia humorística submete as próprias obsessões do romantismo brasileiro a desmistificações prosaicas, num exemplo nacional de ironia romântica. O poeta sensível e recatado da primeira parte dá lugar a um poeta cínico e irreverente, que desfaz o mundo de sonhos e fantasias das outras partes da obra.

Essas duas facetas da poética de Álvares de Azevedo exprimem os dois modos fundamentais que o poeta romântico alemão Schiller apontou como espécies da poesia sentimental moderna: o patético e o satírico. Ao primeiro, cabe evocar o real distante; e, ao segundo, agredir o real presente.

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“Macário”, de Álvares de Azevedo

7, março, 2011 Sem comentários

MacárioMacário é uma tentativa de peça teatral, uma narrativa dialogada a que se pode denominar drama – espécie dramática muito em voga no Romantismo, devido à sua liberdade de estruturação.

Para Mário de Andrade, Macário é a obra genial do poeta Álvares de Azevedo, enquanto o crítico Wilson Martins considera esse texto extravagante mistura de teatro, narração dialogada e diário íntimo: no conjunto e na estrutura é sem pé nem cabeça, mas desprendendo, sobretudo na primeira parte, irresistível fascínio.

O texto é dividido em dois episódios [e não em dois atos, como seria de se esperar de uma peça teatral].

Primeiro episódio

O cenário é uma estalagem de estrada. Macário, um jovem estudante de vinte anos, pede vinho para a mulher da estalagem, que diz que ali só havia aguardente. O moço mostra-se agressivo e intolerante, recusando o vinho do sertanejo. Está com uma garrafa vazia de conhaque, seu companheiro de jornada. Reclama também da ceia [couves com toucinho], atirando o prato na pobre mulher. Chega um desconhecido, que observa atentamente o apetite de Macário.

O jovem diz que já viu esse desconhecido duas vezes. O desconhecido oferece vinho a Macário, que aceita com o maior prazer. O estranho diz que já encontrara três vezes com Macário, sendo que uma vez o moço contemplava romanticamente a natureza, daí pergunta-lhe se ele era poeta. Macário responde de maneira anti-romântica, alegando que sua mula estava cansada. Nisso, uma voz avisa que o burro de Macário fugira com a mala. O jovem lamenta a perda de seu cachimbo. Mas o desconhecido lhe oferece um cachimbo especial. Na conversa, Macário diz quem ele é: um estudante, filho de pais desconhecidos, um enjeitado que ama as mulheres, mas tem ódio do romantismo. Falam sobre poesia e Macário critica a vulgaridade da poesia que era produzida em sua época. Em relação à beleza do mar, Macário fala do enjôo que as ondas provocam. Ao conversarem sobre as mulheres, o moço mostra seu desencanto, confessando que nunca tivera um verdadeiro amor. Para ele, a mulher ideal teria de ter virgindade, beleza e inocência. Mas Macário só procura esse tipo de mulher entre as prostitutas. É contraditório, pois no mesmo tempo em que diz esperar achar um anjo entre as perdidas, afirma também que não admite beber o melhor vinho numa xícara de barro. O desconhecido finalmente revela quem é: nada menos que o diabo. Macário não se espanta, pois há dez anos procura por Satã, e afirma que a melhor desgraça deste mundo é ser Fausto sem Mefistófeles [alusão a personagens do drama Fausto, de Göethe]. Macário parte na garupa de Satã. Muda-se o cenário. Eles estão agora num caminho. Satã, bastante irônico, diz que seu burro é descendente do animal que conduziu a sagrada família. Os dois estão indo para São Paulo. Satã faz uma verdadeira crítica à cidade, ironizando sua população de estudantes vadios, mulheres com maus dentes e lascivas, como também suas ruas esburacadas. A casa de Satã é na entrada da cidade, defronte ao cemitério.

Sob o luar, os dois continuam conversando. Satã fala que tudo no mundo é vapor, inclusive o amor. Ambos são descrentes e irônicos em relação à vida. Conversam sobre a comédia do universo, o desconhecimento das coisas. Macário sempre cita personagens famosos da literatura universal: Fausto, Hamlet, Don Juan – seres atormentados pela busca da verdade. Para quebrar a forte carga de pessimismo daquela conversa, Satã fala da beleza de uma virgem nua. Depois, retomando a meada da descrença, o diabo narra uma história: havia amado uma prostituta e depois a mulher morrera. Amor e morte estão sempre unidos.

Por efeito das artes do diabo, Macário adormece em cima de um túmulo. Tem um terrível pesadelo: na escuridão, vê uma mulher muito pálida que abraçava e beijava cadáveres. Satã o acorda. Macário escuta gemidos, Satã diz que é a sua mãe, agonizando. Horrorizado, Macário o expulsa.

O cenário é novamente uma estalagem de estrada. Macário acorda: tudo fora um sonho… mas a mulher vê uma marca de queimado no chão: um pé de cabra, a pegada do diabo! Tudo fora um sonho?

Segundo episódio

O cenário é a Itália [um vale, montanhas, um rio, uma mulher acalentando um homem em seu colo]. Macário, pensando na morte, encontra a mulher com o homem adormecido em seu colo. Macário é arrogante, e chama a mulher de Messalina de cabelos brancos, insinuando sua luxúria em relação ao rapaz adormecido. Mas depois verifica que o rapaz estava morto, havia se afogado no rio. A mulher é uma louca, mas pelo menos sua loucura a faz feliz, pois ela acreditava na vida do filho. Macário encontra um novo figurante: é Penseroso, que cisma sobre o amor. Macário fala em morrer, Penseroso fala sobre o amor. Macário afirma ter vindo de uma noite de amor: estava embriagado de gozo, mas agora quer morrer. Conversam sobre mulheres e sobre música. Macário está muito fraco. Chega Satã, que mostra certa inclinação homossexual em relação ao jovem Macário. Satã leva o rapaz, que acorda entediado, aborrecido com o diabo. Satã conta uma nova história, em que uma virgem conseguiu evitar a sedução de um rapaz que lhe escrevera. Macário acaba adormecendo com a história do diabo. Mais tarde, Macário torna a conversar com Penseroso. Este, agora, está magoado, sofrendo o mal do amor. Macário o chama para uma orgia.

Numa sala, repleta de livros, Penseroso fala sobre um livro que Macário lhe dera. Um livro descrente, lúgubre. Criticando o ceticismo, Penseroso fala no progresso. Macário descrê de tudo, inclusive da própria arte. Critica a poesia da época [plágio, cópia, garatuja]. Como sempre, a conversa volta a ser sobre o amor, a mulher… Penseroso sofre. Seguem-se páginas do seu diário íntimo: queixas de amor.

Em uma rua, Penseroso encontra com o Doutor Lárius. Penseroso tomou veneno. Por isso, o médico o vê tão pálido.

Em uma sala, Penseroso encontra com a Italiana, sua amada. Italiana diz quer o ama, que será sua, mas Penseroso não acredita. Já tomou veneno. É masoquista: prefere morrer romanticamente de amor a viver e amar.

Em seu quarto, Penseroso agoniza, clamando: ela não me ama. Chega Humberto, um dos amigos,, que nada mais pode fazer. Outros amigos estão ausentes: Davi está na caça e Macário está bêbado.

Na porta de uma taverna, Macário está junto com Satã. O jovem quer fugir, mas Satã diz que o seguirá, pois abrir a alma ao desespero é dá-la a Satã. O diabo afirma também que Macário ouvirá mais facilmente a sua voz partindo da própria carne.

Mais tarde, em uma rua, Macário e Satã estão de braços dados. Olham pela janela de uma taverna. Lá dentro há muito vinho, mulheres e orgia. Eles escutam.

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“Noite na taverna”, de Álvares de Azevedo

7, março, 2011 Sem comentários

Noite na tavernaNoite na taverna é uma obra de Álvares de Azevedo publicada postumamente no ano de 1855 em uma coletânea de textos do autor em dois volumes. De tons trágicos e cheia de fantasia, a obra é uma autêntica representante da escola byroniana do Romantismo no Brasil.

São contos fantásticos, macabros. Numa taverna, em noite escura de tormenta, entre mundanas bêbadas e adormecidas, jovens boêmios [Solfieri, Johann, Gennaro, Bertran, Hermann e Arnold] resolvem, por desafio, contar casos verdadeiros e escabrosos que tivessem vivido. O livro compõe-se dessas narrativas, e é o que de melhor a literatura brasileira possui no gênero fantástico, que tinha em Hoffmann seu modelo e em Edgar Allan Poe um verdadeiro gênio do terror.

Movido pela imaginação exacerbada, a obra apresenta os desvarios do poeta envolvido por uma conturbação febril, na qual se deixa influenciar por quase todas as grandes características das novelas mórbidas do século XIX. Visivelmente artificiais, as narrativas que constituem o cerne desta obra recebem certa dose de magia e coerência por envolver o leitor, prender-lhe a atenção, dirigi-lo ao final. E se as histórias relatadas não são verossímeis, pelo menos disfarçam suas incoerências pela atração com que o autor conduz sua imaginação, de modo que quase parecem reais, colocando-as envolvidas por uma onda infindável de orgias deboches, sátiras, paixões transfiguradas, relatadas pela pequena galeria de personagens boêmios que vão tomando a palavra. Das páginas de Noite na taverna vão surgindo relatos impregnados de um clima inumano e anormal.

Noite na taverna é uma narrativa [novela ou conto] construída em sete partes, contendo epígrafes e os nomes de cada personagem, como subtítulos, antecedendo as narrativas, contadas em uma taverna. Há, na última parte, o entrelaçamento da história de Johann e de alguns personagens.

Mais do que pelos elementos romanescos e satânicos que a condimentam [violência, corrupção, incesto, adultério, necrofilia, traição, antropofagia, assassinatos por vingança ou amor], a obra impõe-se pela estrutura: um narrador em terceira pessoa introduz o cenário, as personagens, a situação, e praticamente desaparece, dando lugar a outros narradores – as próprias personagens, que em primeira pessoa contam, uma a uma, episódios de suas vidas aventureiras.

Na última narrativa, a presença física [na roda dos moços] de personagens mencionadas em uma narrativa anterior faz com que todo o ambiente fantástico e irreal dos contos se legitime como verídico.

Noite na taverna, obra escrita em tom bastante emotivo, antecipa em vários aspectos a narração da prosa moderna: a liberdade cênica, a dupla narração e suas confluências, a mistura do real ao fantástico confere atualidade à obra, apesar de toda a atmosfera byroniana.

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A segunda geração da poesia do Romantismo brasileiro

7, março, 2011 Sem comentários

LIVROCLIP: “Álvares de Azevedo, o poeta rock’n'roll”

30, janeiro, 2011 Sem comentários
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