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Análise de “I-Juca-Pirama”, de Gonçalves Dias

23, outubro, 2009 Manoel Neves 1 comentário

Romantismo: poesia

“I-Juca-Pirama”, de Gonçalves Dias

15, março, 2008 Manoel Neves Sem comentários

Neste poema narrativo, temos um sujeito poético conta as lembranças de um velho índio Timbira que, também com status de narrador, num clima trágico e lírico, narra a história do último guerreiro tupi, l-Juca-Pirama – remanescente de sua tribo em conjunto ao pai, um velho chefe guerreiro cego e doente.

 

O herói tupi é feito prisioneiro pelos Timbiras, guerreiros ferozes e canibais. Antes de ser morto, do guerreiro tupi é exigido que entoe o seu canto de morte, cantando seus leitos, sua bravura e suas aventuras, pois a sua coragem de guerreiro e a sua honra – acreditavam os Timbiras – passariam para todos que, depois do rito de morte, comessem as partes do seu corpo.

 

I-Juca-Pirama conta sua história, fala de sua bravura, das tribos inimigas, das suas andanças, de lutas contra Aimorés, mas, pensando no pai cego e doente, velho e faminto, sem guia, pede que o deixem viver. (“Deixai-me viver!” – canto IV).

 

Seu ato é interpretado como covardia e o chefe dos Timbiras ordene que o soltem (Soltai-o – canto V) e depois de ouvir o guerreiro, ordena-lhe: “És livre; parte”.

 

O guerreiro tupi promete-lhe que voltará depois da morte do pai.

 

No canto VI, de volta ao pai, o herói, que foi preparado para o ritual, conversa com o pai cego que sente o cheiro forte das tintas que haviam sido passadas no corpo do prisioneiro, tintas próprias dos rituais de sacrifício.

 

Destarte pergunta ao filho: “Tu prisioneiro, tu?”. E ao ficar sabendo pelo próprio filho o que acontecera, desconhecendo o verdadeiro motivo de sua volta (zelar pelo pai doente), o velho leva-o de volta aos Timbiras e o maldiz, rogando-lhe pragas e desejando-lhe que nem a morte o receba.

O filho reage e resolve mostrar que não é covarde. Grita “Alarma! Alarma” o seu grito de guerra.

 

O velho escuta, tomado de súbito pela reação do filho que luta bravamente, golpeando inimigos e destruindo a tribo timbira até que o chefe lhe ordena “Basta!”.

 

A honra do herói é então recuperada. Chorou pelo pai o moço guerreiro. E o chefe Timbira guarda a memória dos feitos do jovem tupi.

 

Eis uma apresentação sintética de cada canto de “I-Juca-Pirama”:

 

CANTO I: Apresentação e descrição da tribo dos Timbiras. O guerreiro tupi é o centro da festa que lhe tirará a vida. Descrevem-se os ritos do corte de cabelo e da pintura do corpo. As estrofes de seis versos apresentam versos eneassílabos.

 

CANTO II: Narração do festival antropófago, o rito de sacrifício do guerreiro tupi que não chegará ao final. Nota-se que o guerreiro tupi está melancólico. Perguntam-lhe o que ele teme. Os versos são dispostos em quadras que alternam versos decassílabos brancos e tetrassílabos rimados.

 

CANTO III: Neste breve canto, narra-se a apresentação do guerreiro tupi, a quem se solicita que se apresente e cante os seus feitos. A ele também é permitido que se defenda. O Tupi comove. Este canto é composto por três estrofes, uma de treze versos, uma quadrilha e uma sextilha. Todos os versos são decassílabos e há versos brancos e rimados.

 

CANTO IV: O tupi, num dos momentos mais belos da literatura brasileira, canta seus feitos, fala quem é, das guerras que participara, de como fora capturado pelos timbiras enquanto procurava por comida na selva. Por último, fala do pai fraco e cego que só tinha aquele filho para guiá-lo no que lhe restava da vida. Então, pede ao chefe Timbira para que o deixe ir para cuidar de seu pai. Este canto é composto de 12 estrofes com versos de cinco sílabas métricas.

 

CANTO V: Narra-se a reação dos timbiras que, depois de ouvirem o canto de morte do guerreiro tupi, acusa-o de covarde e, por isso, abdicam do ritual antropofágico porque não querem “enfraquecer os fortes” com a “carne vil” do tupi que chorou diante da morte.

 

CANTO VI: Rompidos os laços que prendiam o tupi na taba dos timbiras, o nosso herói parte em busca do pai. O velho, ao perceber que o filho tivera sido prisioneiro dos timbiras pergunta como o guerreiro se livrara do ritual de antropofagia. O filho, então, narra a “cortesia” dos adversários que o libertaram ao saber da existência do velho tupi, o qual, ao ouvir a história contada por seu filho decide conhecer a tribo timbira.

 

CANTO VII: O velho tupi chega à taba Timbira e pede ao chefe que faça cumprir o ritual antropofágico, ao que o líder dos timbiras se recusa alegando que o Tupi é fraco.

 

CANTO VIII: Noutro belíssimo momento da poesia de Gonçalves Dias, o pai amaldiçoa o filho. O velho fala que aquele tupi não era seu filho porque ele havia chorado em presença de morte. O pai deseja ao filho as piores ofensas que um nobre guerreiro possa sofrer: não encontre amor nas mulheres, não tenha onde dormir, não encontre amigos, nada, sequer possa beber água ou descansar.

 

CANTO IX: Quando o velho tupi já se retirava da tribo Timbira, ouve o grito de guerra de seu filho, que, num acesso de fúria, enfrenta todos os timbiras, desferindo golpes a esmo, mostrando, assim, sua bravura. O velho Timbira é, então, convencido da fúria do jovem Tupi, o qual é também reconhecido pelo pai como sendo seu filho amado e honrado.

 

CANTO X: O velho Timbira afirma ter sido testemunha dos acontecimentos narrados: “meninos, eu vi”.

 

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