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Arquivo da Categoria ‘Castro Alves’

Questões fechadas sobre “Espumas flutuantes”, de Castro Alves

26, novembro, 2011 Sem comentários

Análise de “Espumas flutuantes”, de Castro Alves

13, novembro, 2011 Sem comentários

A terceira geração da poesia do Romantismo brasileiro

7, março, 2011 Sem comentários

“O navio negreiro”, Castro Alves

21, março, 2008 9 comentários

Castro Alves foi o principal e mais popular representante do estilo romântico que predominou na poesia brasileira entre 1850 e 1870, denominado condoreiro por Capistrano de Abreu. É caracterizado por uma poesia retórica, repleta de hipérboles e antíteses, em que se destacam os temas sociais e políticos, principalmente a defesa da abolição da escravatura e a apologia da república.

 

Os poetas condoreiros foram influenciados diretamente pela poesia social de Vitor Hugo – o Condoreirismo é o hugoanismo brasileiro. De teor declamativo e pendor social, um de seus símbolos mais freqüentes é a imagem do condor dos Andes, pássaro que representa a liberdade da América, o que sugeriu a Capistrano de Abreu a denominação dada ao estilo.

 

Castro Alves, o maior representante da última geração romântica, diferente dos seus predecessores, como Junqueira Freire e Álvares de Azevedo, projeta o drama interior do escritor (o eu), sua intensa contradição psicológica, sobre o mundo. Enquanto que, para a geração anterior, o conflito faz o escritor voltar-se sobre si mesmo, pois a desarmonia é resultado das lutas internas, para Castro Alves, são as lutas externas (do homem contra a sociedade, do oprimido contra o opressor) que provocam essa desarmonia. É outro modo de representar o conflito entre o bem e o mal, tão prezado pelos românticos.

 

Portanto, a poética deve se identificar profundamente com o ritmo da vida social e expressar o processo de busca da humanidade por redenção, justiça e liberdade. O poeta “condoreiro” tem um papel messiânico e afinado com o seu momento histórico. Esse comprometimento faz a poesia se aproximar do discurso, incorporando a ênfase oratória e a eloqüência.

 

Nos poemas de caráter político-social de Castro Alves, como “O Livro e a América”, “Ode ao Dous de Julho” e “O navio negreiro”, a poesia é suplantada pelo discurso político grandiloqüente e até verborrágico. Para atingir o alvo e persuadir o leitor e, muito mais, o ouvinte, o poeta abusa de antíteses e hipérboles e apresenta uma sucessão vertiniginosa de metáforas que procuram traduzir a mesma idéia.

 

“O navio negreiro” é, sem dúvida, o poema mais conhecido de Castro Alves. Trata-se de um texto em que se defende o fim do tráfico negreiro.

 

A poesia deste escritor baiano foi escrita para ser lida em voz alta. Por isso, é fácil perceber a grande incidência de hipérboles, paradoxos e recursos expressivos que visam a criar “paisagens de palavras” em sua obra. Atente-se para o fato de que o ato de criação do texto pressupunha que o poema seria declamado a uma platéia.

 

Nota-se um forte caráter descritivo-narrativo na primeira, terceira e quarta partes do poema, em que o locutor nos apresenta o navio negreiro atravessando o Oceano e, ainda, terríveis cenas que buscam traduzir as atrocidades por que passavam os negros quando transportados da África para a América.

 

Nas palavras do crítico Luiz Dantas, percebe-se, em “O navio negreiro”, um violento contraste entre o orgulho da vitória conquistada na Guerra do Paraguai [Estandarte que a luz do sol encerra,/ E as promessas divinas da esperança.../ Tu, que da liberdade após a guerra,/ Foste hasteado dos heróis na lança,/ Antes te houvessem roto na batalha,/ Que servires a um povo de mortalha] e as injustiças da escravidão. Ante tamanha disparidade, o sujeito poético acaba por duvidar dessa bandeira que dissimula “tanta infâmia e cobardia”: Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta,/ Que impudente na gávea tripudia?!…/ Silêncio… Musa! Chora, chora tanto/ Que o pavilhão se lave no teu pranto

 

Clique aqui para baixar trechos do poema, musicados por Caetano Veloso e Maria Bethânia; para baixar o poema, clique aqui.

“Adormecida”, de Castro Alves

15, março, 2008 1 comentário

Uma noite, eu me lembro… Ela dormia

Numa rede encostada molemente…

Quase aberto o roupão… solto o cabelo

E o pé descalço do tapete rente.

 

‘Stava aberta a janela. Um cheiro agreste

Exalavam as silvas da campina…

E ao longe, num pedaço do horizonte,

Via-se a noite plácida e divina.

 

De um jasmineiro os galhos encurvados,

Indiscretos entravam pela sala,

E de leve oscilando ao tom das auras,

Iam na face trêmulos – beijá-la.

 

Era um quadro celeste!… A cada afago

Mesmo em sonhos a moça estremecia…

Quando ela serenava… a flor beijava-a…

Quando ela ia beijar-lhe… a flor fugia…

 

Dir-se-ia que naquele doce instante

Brincavam duas cândidas crianças…

A brisa, que agitava as folhas verdes,

Fazia-lhe ondear as negras tranças!

 

E o ramo ora chegava ora afastava-se…

Mas quando a via despeitada a meio,

P’ra não zangá-la… sacudia alegre

Uma chuva de pétalas no seio…

 

Eu, fitando esta cena, repetia

Naquela noite lânguida e sentida:

‘Ó flor! – tu és a virgem das campinas!

‘Virgem! – tu és a flor da minha vida!…’