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Arquivo da Categoria ‘Nelson Rodrigues’

Análise de “Anjo negro”, de Nelson Rodrigues

6, dezembro, 2011 2 comentários

Análise de “Vestido de noiva”, de Nelson Rodrigues

25, junho, 2011 Sem comentários

“Vestido de noiva”, de Nelson Rodrigues

13, fevereiro, 2011 Sem comentários

Em Vestido de noiva, Alaíde, a protagonista, ouve Pedro – seu marido – e Lúcia – sua irmã e rival – tramarem-lhe a morte. Sai desesperada para a rua, é atropelada e morre. Ainda que dê a Pedro e Lúcia a chance de sair da trama de mãos lavadas, por livrá-los de um assassinato, o acaso não poupa sua vítima, cujo destino trágico ela mesma traçou: Alaíde havia roubado o namorado de sua irmã e se casado com ele.

Logo depois do casamento, já começa sentir antipatia pelo marido, a quem não amava e com quem se casara simplesmente para tomá-lo da irmã, acirrando, assim, uma rivalidade que será o principal agente de sua própria tragédia.

Depois do casamento com Alaíde, Pedro reata sua relação com Lúcia, e os dois se tornam amantes. Juntos, passam a tramar a morte de Alaíde. O móvel da morte é, portanto, construído pela própria protagonista, seguindo a tônica das tragédias clássicas.

Vestido de noiva tem, neste sentido, componentes da tragédia, pois, como nesta espécie dramática, o homem está aqui também sujeito a um destino, que, por sua vez, é concebido como predestinação.

Mas trata-se de uma tragédia que não é a grega no sentido tradicional, já que os conflitos e as personagens se localizam no Rio de Janeiro; ademais, do ponto de vista estrutural, essa peça se constitui nos moldes de um drama, de acordo como espírito da modernidade.

A rivalidade entre irmãs, que disputam um mesmo homem; a repressão dos desejos; a fragilidade e falsidade das relações familiares, tais quais se apresentam na peça rodriguiana, apontam para uma crítica aos costumes burgueses que se aplica, por sua vez à comédia.

Como a dramaturgia moderna, mormente a de Nelson Rodrigues, não respeita as leis imutáveis das espécies dramáticas, a terminologia tragédia do cotidiano cabe bem, segundo o crítico Sábato Magaldi,  para definir grande parte da produção teatral do “anjo pornográfico”.

Trata-se de peças que, vistas panoramicamente, insistem no uso deliberado e, portanto, irônico dos clichês trágicos – fatalidade, destino, vingança, relações incestuosas, disputas familiares, assassinatos, a cegueira quanto ao saber sobre si mesmo. O autor, entretanto, utiliza-se do trágico, não como gênero, mas como ideia, atualizando esses clichês em fatos que compõem o cotidiano do homem moderno – o futebol, o casamento, as intrigas familiares, a vida de cada dia, “a vida como ela é”, segundo sua própria designação.

Foi ainda o próprio Nelson Rodrigues quem subdividiu o conjunto de suas peças dramáticas em drama, tragédia, tragédia carioca, farsa irresponsável, peça em dois atos, divina comédia, obsessão em três atos, rompendo, assim, com a divisão rígida dos gêneros e das espécies dramáticas. Vestido de noiva cabe na terminologia tragédia carioca, pela classificação de seu autor, cuja concepção mostra que teatro não é simplesmente representação ou imitação da vida: ele é em si mesmo, a encarnação da vida: “O teatro, é preciso jogá-lo de volta na vida. O que não significa que se deva botar a vida no teatro. Como se fosse possível imitar a vida. O que é preciso é reencontrar a vida no teatro, em toda a sua liberdade. Essa vida está inteiramente presente no texto dos grandes trágicos”.

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Apresentando “Anjo negro”, de Nelson Rodrigues

6, setembro, 2010 Sem comentários

Anjo negro, de 1956, inserida pelo próprio Nelson Rodrigues no conjunto de suas peças míticas, pode ser compreendida como uma leitura alegórica da chamada “democracia racial brasileira”, na medida em que põe em cena um casal formado por um médico negro, Ismael, que é casado com uma mulher branca que odeia pretos, e, por isso, mata, um a um, os três filhos do casal, unicamente pelo motivo de eles terem a mesma cor do pai.

O texto, de fácil leitura, impressiona à primeira vista, devido ao modo cru como Nelson expõe temas como incesto, preconceito racial e homicídio na sociedade brasileira dos anos dourados pré-Bossa Nova. Trata-se, na verdade, de uma recriação de duas grandes histórias da literatura universal, a saber: da Medeia, de Eurípedes; e do motivo de Agar e Ismael, do Velho Testamento. Pode-se, ainda, entrever uma pequena ressonância da história de amor de Paulo e Virgínia, oriunda do período Iluminista, e de mitos gregos, como o de Tirésias, o oráculo cego.

Ao ler os textos de Nelson Rodrigues, deve-se destacar o comportamento obsessivo e paranoico das personagens; o clima mórbido, que embaralha as noções do normal e do doentio; o diálogo enxuto, direto, com o ritmo e a tonalidade da fala carioca; e a trama folhetinesca, tornada complexa devido aos dilemas morais e às ambiguidades comportamentais dos protagonistas.

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Nelson Rodrigues: aspectos biográficos

6, setembro, 2010 Sem comentários

Dramaturgo, romancista e jornalista pernambucano, Nelson Falcão Rodrigues (1912-1980) nasceu em 23 de agosto de 1912 e foi o mais importante autor do teatro brasileiro contemporâneo. Ainda criança, mudou-se do Recife para o Rio de Janeiro. Aos sete anos começou a desenvolver sua veia literária na Escola Prudente de Moraes, na Tijuca, Zona Norte do Rio, quando a professora da turma criou um prêmio para a melhor redação. Dois alunos dividiram o primeiro lugar. Um deles redigiu uma história inspirado nas mil e uma noites, baseada na aventura de um rajá e seu elefante. O outro pequeno, um magrinho vindo de Recife, descreveu a desgraça de um marido traído que esfaqueou a mulher ao flagrá-la com o amante em sua própria cama. Como o autor relata, foi a partir deste momento que “nasceu” Nelson Rodrigues.

Aos 13 anos começou a trabalhar nos jornais A manhã e Crítica, de propriedade de seu pai, Mário Rodrigues. A vida pessoal foi marcada pela polêmica e pela tragédia, o que muito influenciou o “estilo Nelson” de escrever. Seu irmão Roberto, um talentoso desenhista, foi assassinado com um tiro dentro da redação do jornal Crítica por engano, por uma mulher que desejava matar seu pai, Mário Rodrigues. Anos depois, em uma de suas crônicas, Nelson redigiu: “Confesso: o meu teatro não seria como é, e nem eu seria como sou, se eu não tivesse sofrido na carne e na alma, se não tivesse chorado até a última lágrima de paixão o assassinato de Roberto”.

O problema da tuberculose, a morte do pai, uma irmã morta aos oito meses, o irmão Paulo que morreu num desabamento, as amantes, a miséria, um filho preso e torturado pelo regime militar – cujas diretrizes ele defendia – fizeram com que o dramaturgo adotasse um processo de criação cujas linhas enfatizam um ambiente mórbido, pessimista e descrente da vida.

Já casado, em 1940, ao saber da gravidez da mulher, Elza Bretanha, Nelson resolveu escrever uma comédia a fim de ganhar dinheiro e combater as dificuldades do começo de sua carreira. Em 1941 redigiu a primeira peça, “A mulher sem pecado”, cujo contexto apresentava uma vinculação entre teatro e crônica jornalística. Logo no início da obra, as marcas de sua infância e adolescência, aliadas ao seu inovador estilo, fizeram com que a história se transformasse num terrível drama. A peça estreou no ano seguinte.