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Pareça e desapareça, de Paulo Leminski
Parece que foi ontem.
Tudo parecia alguma coisa.
O dia parecia noite.
E o vinho parecia rosas.
Até parece mentira,
tudo parecia alguma coisa.
O tempo parecia pouco,
e a gente se parecia muito.
A dor, sobretudo,
parecia prazer.
Parecer era tudo
que as coisas sabiam fazer.
O próximo, eu mesmo.
Tão fácil ser semelhante,
quando eu tinha um espelho
pra me servir de exemplo.
Mas vice versa e vide a vida.
Nada se parece com nada.
A fita não coincide
Com a tragédia encenada.
Parece que foi ontem.
O resto, as próprias coisas contem.
Além-alma (uma grama depois), de Paulo Leminski
Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
que acaba de enlouquecer.
Pra que é que eu quero
quem chora, se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?
Distraídos venceremos, de Paulo Leminski
Distraídos venceremos, publicado em 1987, reúne poemas escritos entre 1983 e 1987, já alguns anos depois que o poeta viveu e assimilou as fases da Poesia Concreta, do Tropicalismo e da Poesia Marginal. A convergência com o concretismo, como pesquisou Fabrício Marques de Oliveira, pode ser avaliada no parentesco estético entre Leminski e Décio Pignatari, que observou que a vanguarda não deve ser imposta a ferro e fogo, mas a erro e jogo. A vanguarda não é revolução permanente, mas contribuição permanente. Para Leminski, a contribuição da Poesia Concreta foi fundamental, trouxe-lhe a consciência aguda da materialidade da linguagem, a palavra enquanto signo altamente significativo, tornando mais nova a informação poética. Segundo o referido movimento, a poesia não deve ficar apenas na trincheira da literatura, mas se vincular a outras artes, assumir o caráter intersemiótico. Para baixar o livro, clique aqui.
La vie en close, de Paulo Leminski
Livro póstumo de Paulo Leminski, La vie en close [cujo título faz uma brincadeira com a canção "La vie en rose", que ficou famosa na voz de Edith Piaf] foi lançado em 1991, dois anos depois da morte do poeta curitibano. Para baixar o livro, clique aqui.





