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Dialética da malandragem, de Antonio Candido

Neste ensaio, o professor Antonio Candido analisa as Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e mostra a importância deste romance urbano e de seu protagonista – Leonardo Filho – para as letras nacionais. Na verdade, o crítico põe o filho de Maria das Hortaliças ao lado de figuras importantes da “malandragem” nacional, tais como Pedro Malasartes [personagem oriunda do folclore brasileiro] e Gregório de Matos [poeta barroco fundador da identidade cultural e da linguagem licensiosa brasileira, ao menos nas formas canonizadas pela literatura]. Segundo Candido, o pícaro é, inicialmente, um ingênuo, porém, a brutalidade da realidade vai, aos poucos, destruindo esta ingenuidade e tranformando o esperto em uma pessoa sem escrúplos, mas isso não ocorre por uma maldade intrínseca e sim pela falta de saída que o miserável enfrenta, ocorre como uma espécie de defesa do mais pobre e, portanto, mais fraco. O ensaísta afirma que o pícaro é um ser “amável e risonho” que vai, com o passar do tempo e das desgraças que o perseguem, conquistando um aprendizado, uma espécie de amadurecimento que o faz repensar a própria vida e com isso chegar a uma certa sabedoria desencantada. Um dos personagens pícaros mais conhecidos de nossa literatura é João Grilo, da peça Auto da Compadecida, escrita por Ariano Suassuna. Grilo é, para quem não sabe, “o amarelo mais amarelo e safado do mundo”. Este personagem criado por Suassuna não apenas o protagonista da peça, ele é também a representação do nordestino miserável e espertíssimo, pois é somente com esta esperteza que ele se alimenta e sobrevive em uma realidade terrível. João Grilo se refugia no adágio popular: “a esperteza é a arma do pobre”. Sua malandragem é resultado da fome e da injustiça em que é obrigado a viver. Grilo aplica golpes para continuar existindo, sua única saída é a mesma que Candido aponta na Dialética da malandragem: a astúcia, a única arma disponível àqueles que lutam contra a miséria e a fome.

 

Para baixar o ensaio, clique aqui.

1 Comment

  1. Muito bom o texto.

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